Por que os carros movidos a gasolina e diesel estão com os dias contados em países europeus e vários



Os carros a gasolina e diesel estão com os dias contados em vários países europeus e alguns grandes emergentes. Governos anunciaram planos de proibir a venda de automóveis movidos a combustíveis fósseis nos próximos anos como parte de esforços para conter a poluição.


A Índia fixou o objetivo de pôr fim à comercialização de veículos com motores a combustão em 2030 e prevê comercializar carros elétricos em grande escala.


A China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa recentemente ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. O calendário ainda será definido.


O país vem ampliando sua frota de carros elétricos e já se tornou, no ano passado, o maior mercado mundial desse setor, ultrapassando os Estados Unidos.

A China representou 40% das vendas globais de carros elétricos em 2016, que totalizaram mais de 750 mil unidades, de acordo com um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris.


O governo brasileiro, por sua vez, está elaborando o Rota 2030, nova política industrial para o setor automotivo. Mas não deve haver, pelo menos na primeira fase, regras para estimular o desenvolvimento de carros elétricos e híbridos (com motor elétrico e outro a combustão) no país.


Entre as propostas discutidas para o novo programa está a de alíquotas menores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros elétricos. No Brasil, não há carros de passeio a diesel, apenas veículos leves comerciais, caminhões e ônibus.


'Direção certa'

A França e o Reino Unido anunciaram o fim da venda de carros novos a diesel e gasolina até 2040. Na Áustria, isso poderá vigorar já em 2020. Na Noruega o prazo previsto é 2025 e, na Holanda, 2030.


A Alemanha deverá seguir o exemplo, afirmou a chanceler Angela Merkel, sem fixar, no entanto, uma data. O assunto teve destaque na última campanha eleitoral, em setembro.


A iniciativa, segundo Merkel, "vai na direção certa", embora o governo alemão tenha decidido manter, diferentemente de outros países europeus, as vantagens fiscais para os carros a diesel porque eles emitem menos CO2, diz a chanceler.


O setor automotivo alemão emprega 800 mil pessoas e é um dos maiores exportadores do país.


Foi justamente uma montadora alemã, a Volkswagen, que causou o escândalo do "dieselgate", em 2015. A empresa reconheceu ter fraudado em grande escala o nível de emissões de poluentes de seus motores. O caso continua afetando as vendas mundiais de automóveis desse tipo.


Segundo um estudo do banco suíço UBS, os carros novos a diesel poderão praticamente desaparecer do mercado já em 2025. Sua participação no mercado mundial deverá ser de apenas 4% em 2025, contra 13,5% atualmente, diz o relatório.


Na Europa, a queda deverá ser bem mais brutal: a fatia de mercado dos carros a diesel, de 50% hoje, será de apenas 10% em 2025, segundo o UBS.


O documento aponta vários fatores para a derrocada dos automóveis a diesel. Além do "dieselgate" - que abalou a confiança dos consumidores - regulamentações cada vez mais rigorosas em termos de emissões de poluentes tendem a encarecer os modelos e torná-los menos atraentes.


Alguns carros populares já nem são mais fabricados na versão com motor a diesel.

A montadora sueca Volvo anunciou que fabricará, a partir de 2019, apenas carros elétricos ou híbridos (o motor a combustão que complementa e eventualmente alimenta o elétrico é geralmente a gasolina).

Para o banco suíço, as vendas de automóveis elétricos e híbridos crescerão, o que contribuirá para baixar os preços.


Países europeus dão incentivos fiscais para a compra de carros elétricos.

Foi-se o tempo em que governos europeus exaltavam as vantagens dos carros a diesel, como o menor consumo de combustível e emissões de CO2 mais baixas do que os movidos a gasolina.

A política de favorecer o diesel, com uma série de incentivos fiscais, começou a ser adotada no início dos anos 80, após um novo choque nos preços do petróleo.


"Privilegiar os motores a diesel por tanto tempo foi um erro", disse o ex-primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Na França, chamada por alguns de "pátria do diesel", dois terços da frota de carros particulares é movida a esse combustível. Há uma década, era de quase 80%.


Restrições de circulação

Hoje, os veículos a diesel passaram a ser apontados como um dos grandes vilões da poluição do ar nas cidades, em razão das emissões de dióxido de azoto e de partículas finas.